"...je désire ni plus ni moins que de vivre sans temps morts."
- Simone de Beauvoir

spring.awakening

I
não aconteceu de pronto, meus senhores. como todo turning point, ou como tudo que permanece, trata-se de uma plantação que não tem tempo contado.

enquanto tirava dos pés o pó da cidade - a qual, por mera ilusão, ou absoluta lucidez, se sentia mais conectada -, sentiu uma pontada. é que, além da ‘pena’ de tirar a poeira que guardava as histórias e, principalmente, as estórias de seus dias nos campos de ipê, viu que algo se formava. 

II
de repente, e não se sabe se a notícia é confiável, mas nasceu: cidades, o ‘torna-te quem tu és!’, a liberdade, o tomar posições, o que gosta, o que quer…florir.

não são as cidades em si, ou o caminho que as copas das árvores traçam. é mais profundo, trata-se aqui do nascimento de uma mulher. há que se contemplar essa força estranha, a que a leva a enfrentar certos mistérios em si mesma. força que a faz mexer. 
o despertar.

III
embora, no centro, haja uma menina. talvez, seja uma casquinha de mulher, mas quem sabe…

wirrow, ♥!

wirrow, ♥!

(Source: wirrow)

estava procurando por telas de Lucian Freud e, impossível gostar de somente uma. a famosa obesa que dorme nua (Benefits supervisor sleeping), realmente pára o olhar, mas há outros quadros com ela, não? eis o que mais gosto: Benefits supervisor resting (1994). olhe esta mulher, toda pomposa!

outras três obras: Double portrait (1985); Naked man (1991).

moi aussi.

moi aussi.

(Source: bitsnboobs, via serdarileri)

São Paulo, cadê teu coração? ou, eu e Adele num bar mitzvah

vi algo em são paulo que continua me incomodando. na verdade, esse incômodo vem sendo uma construção desde os primeiros contatos com a cidade - que amo! pode parecer clichê, mas me espanta o que vou nomear de apatia sinistra em alguns comportamentos. 
tudo começou, quando estava numa pizzaria e, ao cantar parabéns, aparentemente ninguém ao redor, nas outras mesas, se modificou. as pessoas comiam como se nada acontecesse. talvez, eu esteja mal acostumada, mas nos lugares que geralmente vou, é comum pessoas sorrirem e baterem palmas. alguém celebrando a vida, qual é o problema? a sensação muito presente, foi de haver fantasmas ao meu redor, ou gente mecânica: em local de alimentação, a gente senta e come. e rápido.
o que me sugere que na cidade que não adormece e não se apaga, o ritmo é feito de gasparzinhos - camaradas ou não. 

mas, eu dizia como me deparei com algo que doeu. o que me afetou - e afeta até agora -, foi uma cena corriqueira de festa, o famoso ‘se deparar com o gosto alheio’.
- …o fulano de tal tá ali - avisa um amigo ao outro. 
em seguida, o interessado sai à procura, vai ver se a imaginação se encontra com a realidade. e, como a modernidade, a volta é rápida:
- ele é gordo, não dá.

não dói?!
embora gosto seja escolha, futilidade (narcísica) continua de matar. alguns crescem, mas continuam projetando o mundo com sua adolescência mal resolvida - fulano é gordo, tem espinhas demais, não é popular, eu quero um papi musculoso e rico, com o qual eu não tenha que lidar com minhas próprias inseguranças. 
na boa, naquela hora, vi Adele sambando lindamente naquela cara, cantando aquele samba, com sotaque: ‘…é bonita, é bonita e é bonita!’. 

e hoje, na madrugada do sul, acordo com um grito nascido lá fora, alguém renascia na rua: ‘Aninha, sua malandra: tesão é inteligência, porra!’. 

ufa!

netarretepasderespirer:


Robert Mapplethorpe, Patti Smith, 1975

netarretepasderespirer:

Robert Mapplethorpe, Patti Smith, 1975

(Source: hotparade, via journalofanobody)